Rc.conf
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O que é?
O arquivo rc.conf (/etc/rc.conf) é o arquivo de configuração mais importante no Arch Linux. Ele centraliza a configuração geral do sistema (fuso horário, mapa de teclado, módulos do kernel e serviços a serem carregados na inicialização do sistema, entre outros) em um único arquivo-texto que pode ser facilmente modificado.
Num sistema recém-instalado, o rc.conf se parece com isso:
# # /etc/rc.conf - Main Configuration for Arch Linux # # # ----------------------------------------------------------------------- # LOCALIZATION # ----------------------------------------------------------------------- # # LOCALE: available languages can be listed with the 'locale -a' command # HARDWARECLOCK: set to "UTC" or "localtime" # TIMEZONE: timezones are found in /usr/share/zoneinfo # KEYMAP: keymaps are found in /usr/share/kbd/keymaps # CONSOLEFONT: found in /usr/share/kbd/consolefonts (only needed for non-US) # CONSOLEMAP: found in /usr/share/kbd/consoletrans # USECOLOR: use ANSI color sequences in startup messages # LOCALE="en_US.utf8" HARDWARECLOCK="localtime" TIMEZONE="Canada/Pacific" KEYMAP="us" CONSOLEFONT= CONSOLEMAP= USECOLOR="yes" # # ----------------------------------------------------------------------- # HARDWARE # ----------------------------------------------------------------------- # # Scan hardware and load required modules at bootup MOD_AUTOLOAD="yes" # Module Blacklist - modules in this list will never be loaded by udev MOD_BLACKLIST=() # # Modules to load at boot-up (in this order) # - prefix a module with a ! to blacklist it # MODULES=() # Scan for LVM volume groups at startup, required if you use LVM USELVM="no" # # ----------------------------------------------------------------------- # NETWORKING # ----------------------------------------------------------------------- # HOSTNAME="myhost" # # Use 'ifconfig -a' or 'ls /sys/class/net/' to see all available # interfaces. # # Interfaces to start at boot-up (in this order) # Declare each interface then list in INTERFACES # - prefix an entry in INTERFACES with a ! to disable it # - no hyphens in your interface names - Bash doesn't like it # # Note: to use DHCP, set your interface to be "dhcp" (eth0="dhcp") # lo="lo 127.0.0.1" eth0="eth0 192.168.0.2 netmask 255.255.255.0 broadcast 192.168.0.255" INTERFACES=(lo eth0) # # Routes to start at boot-up (in this order) # Declare each route then list in ROUTES # - prefix an entry in ROUTES with a ! to disable it # gateway="default gw 192.168.0.1" ROUTES=(!gateway) # # Enable these network profiles at boot-up. These are only useful # if you happen to need multiple network configurations (ie, laptop users) # - set to 'menu' to present a menu during boot-up (dialog package required) # - prefix an entry with a ! to disable it # # Network profiles are found in /etc/network-profiles # #NET_PROFILES=(main) # # ----------------------------------------------------------------------- # DAEMONS # ----------------------------------------------------------------------- # # Daemons to start at boot-up (in this order) # - prefix a daemon with a ! to disable it # - prefix a daemon with a @ to start it up in the background # DAEMONS=(syslog-ng network netfs crond) # End of file
Localização
- LOCALE: Este é o idioma do sistema, o qual será usado por todos os programas que suportem o tal idioma. Você pode obter uma lista dos idiomas disponíveis executando locale -a em um terminal. O padrão (en_US.utf8) deixará o sistema em inglês. Para deixá-lo em português deve-se utilizar pt_BR.utf8 ou pt_PT.utf8, para o português brasileiro ou europeu, respectivamente.
- HARDWARECLOCK: Especifica se o relógio físico (hardware), o qual o sistema é sincronizado durante a inicialização, está configurado de acordo com a hora universal (UTC) ou local (localtime). UTC faz mais sentido pois simplifica a mudança entre os fusos ou no horário de verão, por exemplo. localtime torna-se necessário se você utiliza na mesma máquina um sistema operacional que não diferencia um do outro, como o Windows.
- TIMEZONE: Especifica o seu fuso horário. Os valores possíveis aqui são os caminhos relativos a um arquivo, começando do diretório /usr/share/zoneinfo. Por exemplo, se você mora na porção leste do Brasil, deve utilizar Brazil/East, que se refere ao arquivo /usr/share/zoneinfo/Brazil/East. Outras opções são Brazil/West, Brazil/Acre e Brazil/DeNoronha. Portugueses devem usar Portugal simplesmente.
- KEYMAP: O mapa de teclado a ser utilizado. Se você tem um teclado brasileiro (com a tecla ç), deve utilizar br-abnt2. Se possui um teclado americano e quer utilizar acentos, deve usar us-acentos. Em /usr/share/kbd/keymaps encontrará outras opções. Essa configuração somente afetará o console do sistema e portanto não terá efeito algum nos gerenciadores de janelas ou no X.
- CONSOLEFONT: Define a fonte utilizada no console. Possíveis valores encontram-se em /usr/share/kbd/consolefonts.
- CONSOLEMAP: Define o mapa de console utilizado. Os mapas possíveis estão em /usr/share/kbd/consoletrans. Você irá querer configurar isso para um mapa relacionado ao seu locale (8859-1 para Latin1, por exemplo) se estiver usando um locale utf8 acima, e utilizar programas que geram saída 8-bit. Se somente utiliza o X11 no dia-a-dia não precisa se preocupar pois essa configuração só afeta a saída de programas no console.
- USECOLOR: Ativa (ou desativa) mensagens de estado coloridas durante a inicialização do sistema.
Hardware
- MOD_AUTOLOAD: Se configurado para "yes", o Arch irá detectar seu hardware durante a inicialização e tentar carregar os respectivos módulos. Isso é feito com a ferramenta hwdetect.
- MOD_BLACKLIST: Essa é uma lista de módulos que você não quer que sejam carregados durante a inicialização. Por exemplo, se não gostar daquele irritante alto-falante interno, pode colocar o módulo pcspkr nessa lista negra (não é mais utilizado).
- MODULES: Aqui você pode listar os nomes dos módulos a serem carregados durante a inicialização sem precisar relacioná-los aos dispositivos, como é feito no modprobe.conf. Somente adicione o nome do módulo aqui, e coloque quaisquer opções adicionais no modprobe.conf se necessário. Adicionando-se um ponto de exclamação (!) antes do módulo irá impedir seu carregamento na inicialização (não é o mesmo que o MOD_BLACKLIST!), possibilitando "comentar" certos módulos rapidamente quando necessário. Um benefício de especificar os módulos de rede aqui é que as placas de rede respectivas serão sempre detectadas na mesma ordem que os módulos listados. Isso evita confusão na hora de configurar várias interfaces de rede, já que a cada inicialização elas podem ser detectadas em ordens diferentes. Um jeito ainda melhor de resolver esse problema é usando nomes estáticos para cada interface, configurados através do udev.
- USELVM: Procura por volumes LVM durante a inicialização; necessário se você usa LVM.
Rede
- HOSTNAME: É o nome da máquina, sem a parte do domínio. Fique a vontade para escolher um, contanto que só use letras, números e alguns poucos caracteres especiais como o hífen. Em caso de dúvida, pode deixar o nome padrão.
- INTERFACES: Aqui você define as configurações das interfaces de rede. As linhas já presentes e os comentários explicam como deve ser feito. Se você não usa DHCP, tenha em mente que o valor da variável (a qual o nome representa o nome do dispositivo a ser configurado) é exatamente a linha de argumentos que você daria ao comando ifconfig se estivesse configurando o dispositivo manualmente através do terminal.
- ROUTES: Você pode definir suas próprias rotas estáticas aqui. Para ter uma idéia de como fazer, veja o exemplo para um gateway padrão. Basicamente, você cria uma rota com os argumentos que passaria ao comando route add, se fosse fazer manualmente. Leia o manual do comando route (man route) se não souber o que escrever aqui, ou simplesmente deixe como está.
- NET_PROFILES: Ativa certos perfis de rede durante a inicialização. Perfis de rede são uma maneira conveniente de gerenciar múltiplas configurações de rede, e a intenção é substituir a configuração padrão INTERFACES/ROUTES que é ainda mais recomendada para sistemas que possuem uma única configuração. Se seu computador irá participar de várias redes distintas (um portátil, por exemplo) então você deveria dar uma olhada no diretório /etc/network-profiles para configurar alguns perfis. Lá você encontrará um arquivo de exemplo a partir do qual poderá criar novos perfis.
Daemons
- DAEMONS: Essa é uma lista onde os valores indicados representam os nomes dos scripts em /etc/rc.d que devem ser carregados durante a inicialização do sistema. Se houver um ponto de exclamação (!) antes do nome do script, ele não será executado. Se ao invés disso houver um arroba (@), então ele será executado em segundo plano (background), ou seja, a sequência de inicialização não irá esperar por um retorno do script (se falhou ou não, por exemplo) para continuar o processo. Normalmente você não precisa modificar nada aqui para que o sistema simplesmente funcione, mas definitivamente será necessário modificar essa lista quando você instalar algum serviço como o sshd, e quiser que ele seja carregado automaticamente durante a inicialização. Esse é basicamente o jeito Arch de lidar com o que os outros lidam utilizando-se de vários links simbólicos para um diretório init.d.
Nota: A ordem em que os daemons são listados é importante pois é nessa ordem que eles são carregados. Por exemplo, dbus deve vir antes de hal, a menos que você queira ver algumas mensagens de erro durante a inicialização do sistema.